Fraturas da coluna cervical: classificação, sintomas e tratamento.
Kruk A.Cirurgião ortopédico, MD
29 min ler·Janeiro 06, 2026
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As fraturas da coluna cervical são lesões graves que exigem diagnóstico cuidadoso e tratamento adequado. Lesões na coluna cervical superior — a primeira (C1, atlas) e a segunda (C2, áxis) vértebras — são particularmente importantes, pois proporcionam mobilidade à cabeça e estão localizadas próximas ao tronco encefálico e à medula espinhal.
Fratura da primeira vértebra cervical
A primeira vértebra cervical (C1, atlas) é responsável por sustentar o crânio e, entre outras funções, garantir a mobiliade da cabeça. A fratura envolve a ruptura da integridade da estrutura da vértebra que possui uma forma de anel. As fraturas da primeira vértebra são de grande importância clínica devido à sua proximidade com a medula espinhal e o tronco encefálico, o que cria um risco de déficit neurológico ou instabilidade com risco de vida.
Etiologia
As fraturas da C1 ocorrem principalmente como resultado de traumatismos.
Traumatismos de alta energia: acidentes de trânsito, quedas de altura ou lesões esportivas (por exemplo, mergulho em águas rasas).
Traumatismos de baixa energia: em idosos (por exemplo, quedas da própria altura) devido a distúrbios no metabolismo ósseo (osteoporose).
Causas raras: fraturas patológicas devido a tumores ou infecções.
Mecanismo de lesão
O mecanismo clássico é a carga axial, na qual a força comprime o crânio, sendo transmitida através dele para o atlas (C1) e causando danos a ele. A hiperextensão (extensão excessiva) ou a hiperflexão (flexão) podem agravar a fratura.
Epidemiologia
As fraturas da C1 representam 2% a 13% das lesões da coluna cervical e 1% a 3% de todas as lesões da coluna vertebral. Elas atingem principalmente homens (75% dos casos) entre 20 e 40 anos devido a atividades de alto risco. Um segundo pico de incidência ocorre em idosos (> 65 anos) com osteoporose.
A taxa de mortalidade é baixa (4% a 10%), mas lesões concomitantes (por exemplo, as fraturas da segunda vértebra cervical) complicam 30% a 50% dos casos.
Classificação de fraturas da C1
Classificação de Gehweiler e Dickman
A classificação de Gehweiler (Gehweiler classification) inclui cinco tipos de fraturas da primeira vértebra cervical com base nas estruturas anatômicas envolvidas. Essa classificação integra a classificação de Dickman das lesões do ligamento transverso do atlas (Dickman classification).
Classificação de Gehweiler com a modificação de Dickman
Tipo
Descrição
Incidência
Tipo 1
Fratura do arco vertebral anterior
24%
Tipo 2
Fratura do arco vertebral posterior
22%
Tipo 3
Fratura dos arcos vertebrais anterior e posterior (fratura do tipo explosão de Jefferson)
34%
Subtipo 3а
Ligamento transverso do atlas é intacto
–
Subtipo 3b (Dickman tipo 1)
Lesão do ligamento transverso do atlas
–
Subtipo 3b (Dickman tipo 2)
Fratura por avulsão no local de inserção do ligamento, com o ligamento intacto
–
Tipo 4
Fratura da massa lateral
19%
Tipo 5
Fratura isolada do processo transverso do atlas
1%
Classificação de Landells
Existe também a classificação de Landells (Landells classification), que é semelhande em princípios à classificação de Gehweiler e distingue três tipos de fraturas:
Tipo I: Fratura só do arco vertebral anterior ou posterior.
Tipo II: Fratura de ambos os arcos.
Tipo III: Fratura da massa lateral (que se extende no máximo por um arco).
Modelos 3D de fraturas da primeira vértebra cervical:
Fratura da primeira vértebra cervical, tipo 1 (Gehweiler)
Fratura da primeira vértebra cervical, tipo 2 (Gehweiler)
Fratura da primeira vértebra cervical, tipo 3a (Gehweiler)
Fratura da primeira vértebra cervical, tipo 3b Dickman type 1 (Gehweiler)
Fratura da primeira vértebra cervical, tipo 3b Dickman type 2 (Gehweiler)
Fratura da primeira vértebra cervical, tipo 4 (Gehweiler)
Fratura da primeira vértebra cervical, tipo 5 (Gehweiler)
Apresentação clínica
Os sintomas variam de leves a graves.
Fraturas estáveis: dor localizada no pescoço, rigidez e espasmos musculares.
Fraturas instáveis: possíveis déficits neurológicos (fraqueza nas extremidades, insuficiência respiratória) devido à compressão da medula espinhal ou do tronco encefálico.
Lesão da artéria vertebral: (Blunt cerebrovascular injury (BCVI)) é acompanhada de tontura (vertigem), visão dupla (diplopia), perda de visão, falta de coordenação motora (ataxia), dificuldade para engolir (disfagia) e vômito.
Fraturas assintomáticas ocorrem em alguns pacientes, causando dificuladades no diagnóstico.
Diagnóstico da fratura da C1
O diagnóstico baseia-se na avaliação clínica e nos exames de imagem.
Avaliação clínica
Dor no pescoço e limitação de movimentos são os principais sintomas de lesões da coluna cervical em geral. Durante o exame neurológico, são avaliados déficits motores e sensoriais. Em lesões isoladas da primeira vértebra cervical, os déficits neurológicos são menos prováveis; no entanto, em fraturas associadas da segunda vértebra cervical, o risco de complicações neurológicas aumenta consideravelmente.
Métodos de pesquisa de radiação:
Tomografia computadorizada (TC): o padrão ouro para detectar as linhas de fratura e o deslocamento.
Radiografia: a incidência anteroposterior com a boca aberta pode mostrar o deslocamento lateral da massa vertebral (deslocamento maior que 7 mm sugere a fratura de Jefferson).
Ressonância magnética (RM): permite avaliar danos ao sistema de ligamentos e a compressão da medula espinhal.
Ao diagnosticar uma lesão na primeira vértebra cervical, devem ser consideradas possíveis anomalias no desenvolvimento da vértebra em questão. Um atlas bífido ou duplicado é uma anomalia congênita bem rara que se caracteriza pelo atlas dividido em duas metades devido a defeitos na fusão dos arcos anterior e posterior. Os defeitos ósseos são cobertos por tecido fibroso. Os defeitos do arco anterior geralmente estão localizados na linha média e são menores do que o defeito do arco posterior, que também está localizado na linha média. O atlas duplicado é uma condição assintomática que se manifesta como um achado radiográfico esporádico.
Tratamento da fratura da primeira vértebra cervical
Tratamento não cirúrgico
Indicações: fraturas estáveis (ligamento transverso íntegro, sem deslocamento).
Metodologia:
Imobilização: colar cervical rígido (e.g.: Miami J) ou o sistema Halo por 8 a 12 semanas.
Monitoramento radiográfico dinâmico: exames de imagem seriados garantem o alinhamento e a consolidação da fratura.
Reabilitação: a fisioterapia após o período de imobilização para recuperar a mobilidade e o tônus muscular.
Animação 3D — Tipos estáveis de fraturas da primeira vértebra cervical de Gehweiler (Gehweiler J, Duff D, Martinez S, Miller M, Clark W, 1976)
Terapia cirúrgica
Indicações: instabilidade do segmento (ruptura do ligamento transverso, deslocamento maior que 7 mm), distúrbios neurológicos ou falha do tratamento conservador. O objetivo é prevenir lesões na medula espinhal e restaurar o eixo da coluna vertebral.
Metodologia:
Fusão occipitocervical: estabiliza o crânio e a coluna cervical. Em geral, a cirurgia é realizada em lesão combinada da primeira e da segunda vértebras cervicais.
Fusão C1–C2: mantém a mobilidade do pescoço, fixando o atlas à segunda vértebra cervical.
Animação 3D — tipos de fraturas instáveis da primeira vértebra cervical de Gehweiler (Gehweiler J, Duff D, Martinez S, Miller M, Clark W, 1976)
Fratura da segunda vértebra cervical
A segunda vértebra cervical (C2, áxis) desempenha um papel fundamental no suporte do crânio, facilitando a rotação da cabeça e protegendo a porção superior da medula espinhal. Fraturas nessa região podem variar de pequenas fissuras sem deslocamento a lesões graves e instáveis que comprometem a medula espinhal e funções vitais.
Etiologia
As fraturas da segunda vértebra cervical podem ocorrer como resultado de diversos impactos traumáticos:
Trauma direto: A causa mais comum; na maioria dos casos, ocorre como resultado da exposição a forças de impacto elevadas.
Acidentes de transito: incluem tanto colisões em alta velocidade quanto mecanismos com energia menor, como frenagens bruscas.
Lesões esportivas: esportes de contato, acidentes de mergulho e hipismo.
Condições patológicas: lesões metastáticas da segunda vértebra cervical, bem como condições metabólicas crônicas que afetam a densidade óssea, contribuindo para fraturas por baixa energia.
Mecanismo de lesão
Devido à sua estrutura anatômica específica, a segunda vértebra cervical é suscetível a seus próprios padrões de lesão e formas de fratura:
Hiperextensão: o movimento súbito da cabeça para trás (por exemplo, um impacto forte na traseira de um veículo) pode causar a “fratura do enforcado”, ou seja, uma fratura bilateral da parte interarticular.
Carga axial: a força vertical aplicada à cabeça (por exemplo, ao mergulhar em águas rasas) pode causar fraturas do processo odontoide (dente do áxis).
Flexão-rotação: as forças de torção também podem levar a fraturas do processo odontoide ou da massa lateral.
Trauma direto: pancadas na parte superior do pescoço ou no crânio facial podem causar a fratura da segunda vértebra cervical.
Epidemiologia
As fraturas da C2 representam 20% de todas as fraturas da coluna cervical.
As fraturas do processo odontoide (processo dentário) são as mais comuns (50% a 75%), especialmente em pacientes idosos após quedas da própria altura.
Fraturas do enforcado (Hangman’s Fracture, espondilolistese traumática do áxis) são a segunda fratura mais comum da vértebra C2; são frequentemente observadas como resultado de acidentes de trânsito e quedas.
São mais comuns em homens que praticam atividades esportivas e também em trabalhos potencialmente perigosos (construção civil, etc.).
Classificação das fraturas da C2
Existem diversas classificações das fraturas da vértebra C2. Historicamente, as classificações mais significativas baseiam-se na relação com o local anatômico da lesão. Por exemplo, Schatzker classificou as fraturas com base na sua relação com os ligamentos acessórios.
Classificação das fraturas do processo odontoide (Anderson & D’Alonzo)
A classificação mais comumente usada para fraturas do processo odontoide que se baseia no nível da fratura.
Classificação de Anderson e D’Alonzo com a modificação de Handley*
Tipo
Descrição
Descrição
Tipo 1
Fratura oblíqua do ápice do processo odontoide (essencialmente, uma fratura por avulsão do ligamento alar)
Ocorre raramente, sendo considerada uma fratura estável (no entanto, a instabilidade atlanto-occipital deve ser excluída por meio de radiografias funcionais em flexão e extensão).
Tipo 2 Tipo 2а
Fratura no colo e na base do processo odontoide
A fratura mais comum e potencialmente instável. A alta taxa de falha na consolidação da fratura deve-se à interrupção do fluxo sanguíneo local, causada pela fratura.
Tipo 3
Uma fratura que se estende para o corpo vertebral, muitas vezes envolvendo a superfície articular da articulação atlantoaxial.
É o tipo mais favorável à consolidação da fratura do que o tipo 2.
*A subclassificação de Hadley (Hadley subclassification) distingue um subtipo para fraturas cominutivas do tipo 2. Em tipo 2a, o risco de falha na consolidação da fratura aumenta significativamente com o tratamento conservador. Ocorre em 5% a 10% de todas as fraturas do tipo 2.
Modelos 3D de fraturas do dente do áxis (segunda vértebra cervical):
Fratura do dente da segunda vértebra cervical, tipo 1 (Anderson and D’Alonzo)
Fratura do dente da segunda vértebra cervical, tipo 2 (Anderson and D’Alonzo)
Fratura do dente da segunda vértebra cervical, tipo 2a (Anderson and D’Alonzo, modificação Hadley)
Fratura do dente da segunda vértebra cervical, tipo 3 (Anderson and D’Alonzo)
Animação 3D — tipos de fratura do processo odontoide de Anderson & D’Alonzo (Anderson L & D’Alonzo R, 1974)
Existe também a classificação de Grauer para as fraturas do processo odontoide do tipo 2, de acordo com Anderson e D’Alonzo (subtipos A, B, C), baseada na forma e direção da linha de fratura e na determinação da estratégia de tratamento adequada.
Por sua vez, a classificação de Roy-Camille (Roy-Camille classification) não descreve apenas a direção do deslocamento dos fragmentos e o curso da linha de fratura.
Além disso, foi desenvolvida uma classificação embriológica das fraturas, baseada nos pontos de fusão embriológicos do processo odontoide. O tipo 1 reflete o envolvimento do quadrante superior do processo odontoide, enquanto o tipo 2 reflete o envolvimento dos três quartos inferiores.
Classificação das fraturas do enforcado (Levine & Edwards)
Foi desenvolvida para as fraturas das partes interarticulares da segunda vértebra cervical (a chamada espondilolistese traumática do áxis, fratura do enforcado ou Hangman’s fracture) e baseia-se no mecanismo da lesão.
Classificação de Levine e Edwards
Tipo
Mecanismo
Descrição
Tratamento
Tipo 1
Compressão axial e hiperextensão
Deslocamento horizontal dos fragmentos de 3 mm, sem deslocamento angular; o disco intervertebral C2–C3 intacto. É considerada uma fratura estável.
Tratamento conservador (colar rígido por 4 a 6 semanas)
Tipo 2
Hiperextensão e carga axial seguidas de flexão
Deslocamento horizontal dos fragmentos > 3 mm, deslocamento angular de até 10°, linha de fratura vertical, lesão do disco intervertebral C2–C3, lesão do ligamento longitudinal posterior. É considerada uma fratura instável
Em deslocamento menor que 5 mm, é indicada a redução com tração, seguida de imobilização com o dispositivo Halo (6 a 12 semanas). Em deslocamento maior que 5 mm, é indicado o tratamento cirúrgico
Tipo 2а
Flexão e distração
Sem deslocamento horizontal dos fragmentos, deslocamento angular dos fragmentos significativo (>11°), linha de fratura horizontal
A tração é contraindicada. A redução é realizada por meio de carga axial leve e hiperextensão, seguida de imobilização no dispositivo Halo (6 a 12 semanas).
Tipo 3
Flexão e extensão, seguidas de hiperextensão.
Fratura do tipo 1 com luxação bilateral concomitante da articulação intervertebral C2–C3
Cirúrgico
Apresentação clínica
Dor cervical intensa: está localizada na coluna cervical superior, intensificando-se com o movimento.
Diminuição da amplitude de movimento no pescoço.
Cefaleia occipital: pode ocorrer devido à dor referida.
Sintomas neurológicos: ocorrem raramente, mas podem incluir a dormência, a fraqueza ou até a quadriplegia em lesões graves.
Problemas respiratórios e de deglutição: podem ser observados durante uma formação de grande hematoma retrofaríngeo.
Diagnóstico
Eles se baseiam na avaliação clínica e nos exames de imagem.
Avaliação clínica:
Anamnese: trauma cervical recente, tipo de impacto, distúrbios neurológicos.
Exame médico: dor cervical, sensibilidade ao palpar, mobilidade limitada, possível comprometimento neurológico, incluindo fraqueza nas extremidades, dormência ou dificuldade respiratória.
Exame de radiografia:
Raio-X: a projeção anteroposterior padrão, lateral e com a boca aberta (mais confiável) permite detectar a fratura do processo odontoide. Radiografias funcionais (flexão e extensão) são necessárias para o diagnóstico de instabilidade occipitocervical (atlanto-occipital).
Tomografia computadorizada (TC): o padrão ouro para o diagnóstico; proporciona uma visualização detalhada da morfologia da fratura e da direção do deslocamento.
Ressonância magnética (RM): é necessária na presença de déficits neurológicos.
Tratamento da fratura da segunda vértebra cervical
Tratamento não cirúrgico
Indicações: em fraturas sem deslocamento, sem sinais de compressão da medula espinhal e sem sintomas neurológicos progressivos. Também é indicado para pacientes que, por um motivo ou outro, não são elegíveis para a cirurgia.
Metodologia:
Colar cervical rígido: na maioria dos casos, é usado em fraturas do processo odontoide do tipo 1 e 3 com deslocamento mínimo ou sem nenhum, bem como em espondilolistese traumática do tipo 1.
Imobilização com o dispositivo Halo: proporciona estabilidade externa máxima, geralmente necessária em algumas fraturas do processo odontoide do tipo 2 e em casos específicos de espondilolistese traumática.
Muitas fraturas da segunda vértebra cervical podem ser tratadas de forma conservadora, especialmente se forem estáveis e não causarem déficits neurológicos. A maioria dos pacientes se recupera graças a imobilização adequada: a órtese externa ou o despositivo Halo proporcionam 100% de consolidação em fraturas do tipo 1 e 85% a 100% de consolidação em fraturas do tipo 3. Em fraturas do tipo 2, a consolidação atinge 57%, mas essa taxa diminui significativamente em pacientes idosos.
Terapia cirúrgica
Indicações: instabilidade, deslocamento, pseudoartrose, déficits neurológicos e lesões múltiplas.
Metodologia:
Fixação do processo odontóide por meio de parafuso: fixação interna em fraturas do dente deslocadas do tipo 2, especialmente em pacientes jovens. A consolidação da fratura é alcançada em 90% dos casos.
Fusão posterior C1–C2: em fraturas com instabilidade, cominuição ou em caso de falha do tratamento conservador. O nível de consolidação da fratura é bastante alto, mas o resultado depende muito da técnica cirúrgica.
A intervenção cirúrgica geralmente proporciona uma boa estabilização e um bom resultado neurológico, mas ao mesmo tempo ela está associada a riscos cirúrgicos e um período de reabilitação mais longo.
Prognóstico e resultados do tratamento
Os principais fatores prognósticos em fraturas da primeira e segunda vértebras cervicais incluem: a integridade do sistema de ligamentos, o deslocamento e a angulação da fratura, o timing e a eficácia da estabilização da fratura e também a qualidade do tecido ósseo do paciente. A reabilitação sistemática e adequada desempenha um papel significativo no prognóstico do resultado.
Prognóstico em fraturas da C1
Fratura isolada do arco anterior: é favorável devido à estabilidade deste e a ocorrência rara de complicações neurológicas.
Fratura isolada do arco posterior: tem um prognóstico idêntico ao da fratura do arco anterior: a fratura é estável e as complicações neurológicas são extremamente raras.
Одновременное повреждение передней и задней дуг: прогностически менее благоприятен и зависит от целостности поперечной связки.
Com o ligamento transverso íntegro (Tipo 3A de Gehweiler), a fratura é relativamente estável e o prognóstico é relativamente favorável.
Qualquer tipo de lesão no ligamento transverso acarreta o risco de desenvolvimento de instabilidade crônica e limitação da amplitude de movimento na coluna cervical após a cicatrização da fratura.
Fratura da massa lateral: o prognóstico também depende do envolvimento do sistema de ligamentos. Por exemplo, com o ligamento transverso íntegro e a imobilização estável do segmento, o prognóstico é favorável. No entanto, as lesões no sistema ligamentar acarretam o risco de desenvolvimento de instabilidade do segmento, que em alguns casos requer a fusão.
Fratura isolada do processo transverso: o prognóstico é favorável, mas é necessário realizar uma avaliação das estruturas vasculares adjacentes.
Prognóstico em fratura da C2
As fraturas do ápice do processo odontoide: têm um prognóstico favorável devido ao alto grau de cicatrização da fratura, à estabilidade da fratura e ao raro desenvolvimento de complicações neurológicas.
Fratura da base do processo odontoide: apresenta alto risco de falta de consolidação óssea devido às características anatômicas do suprimento sanguíneo, chegando a 50% com o tratamento conservador. A má consolidação e a dor crônica são possíveis consequências desse tipo de fratura. Assim, o prognóstico em fratura da base do processo odontoide é menos favorável.
Fraturas do tipo 3 (pela classificação de Anderson e D’Alonzo) têm um bom prognóstico, pois a linha de fratura atravessa o osso esponjoso bem vascularizado do corpo vertebral e também é mais estável do que as fraturas do tipo 2. A consolidação da fratura é alcançada em 85% a 90% dos casos.
O prognóstico após a espondilolistese traumática(fratura do enforcado) depende do tipo de fratura, ou seja, da estabilidade dele. Fraturas estáveis têm um prognóstico favorável, enquanto as instáveis requerem o tratamento cirúrgico, aumentando assim o risco de complicações. Complicações neurológicas com tais fraturas são raras devido ao alargamento do canal vertebral. A consolidação da fratura ocorre em 90% dos casos. A síndrome da dor crônica geralmente se desenvolve devido a diagnóstico incorreto, tratamento tardio e pseudoartrose.
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Protocolo de reabilitação
A reabilitação é uma etapa fundamental do tratamento. Ela é dividida em fases, dependendo da estabilidade da fratura.
Se durante a reabilitação surgirem novos sintomas neurológicos, ou se os sintomas existentes piorarem, se a temperatura corporal subir acima do nível fisiológico ou se você sentir dificuldade para respirar ou engolir, procure ajuda médica imediatamente.
Reabilitação em fratura da C1
Em fratura estável (tratamento conservador):
Fase 1 (Imobilização, 0 a 6 semanas): Fixação estável (órtese/dispositivo Halo). A carga ou o movimento na coluna cervical são estritamente limitados. São permitidos os exercícios isométricos nos segmentos e nas extremidades não afetados, bem como os exercícios respiratórios.
Fase 2 (Mobilização precoce, 6 a 12 semanas): Após a confirmação radiográfica da consolidação da fratura. Exercícios que vizam restaurar a amplitude e a força de movimento. A carga e a amplitude de movimentos devem ser aumentadas gradualmente, sem causar dor. É recomendado começar com movimentos de flexão-extensão e, em seguida, progredir para exercícios de rotação e flexão lateral.
Fase 3 (Recuperação funcional, 12 ou mais semanas): Retorno às atividades diárias sem restrições. Devem ser evitados esportes de contato e cargas axiais de alto impacto. São permitidos os exercícios cardiovasculares, a natação e os exercícios que visam aumentar a amplitude de movimento e fortalecer progressivamente os músculos da coluna cervical e torácica superior.
Caso os sintomas neurológicos sejam negativos ou tenham reaparecido, ou se a consolidação da fratura estiver atrasada, a duração de cada fase será determinada pelo médico responsável.
Em fraturas instáveis (pós-operatório):
0 a 6 semanas: Proteção da estrutura metálica (órtese/dispositivo Halo). É recomendado fazer exercícios respiratórios, treinar a mobilidade no leito e também realizar treino de marcha em condições de imobilização.
6 a 12 ou mais meses: Retorno ao trabalho, atividade física progressiva e desenvolvimento de habilidades específicas.
6 a 12 semanas: Mobilização protegida, fortalecimento dos músculos das costas e dos membros para permitir movimento e execução independentes de tarefas diárias.
12 a 24 semanas: Restauração da amplitude de movimento (levando em consideração as limitações do dispositivo). Os exercícios visam fortalecer os músculos do core e da parede abdominal anterior. Andar de bicicleta também é permitido.
Reabilitação após a fratura da segunda vértebra cervical
Protocolo de reabilitação em fraturas estáveis
Fase
Precauções
Protocolo
Imobilização (0 a 6/8 semanas)
Imobilização no colete cervical ou dispositivo Halo
Exercícios respiratórios, movimentos ativos das extremidades. Mobilização no leito. Posicionamento vertical, conforme tolerado.
Mobilização (6 a 12 semanas)
Retirada gradual do colete cervical
Movimentação da coluna cervical dentro da amplitude indolor. Fortalecimento dos músculos da parte superior do tórax e do pescoço. Treinamento de equilíbrio e propriocepção.
Recuperação funcional (12 ou mais semanas)
Evitar exercícios de alta intensidade até a consolidação completa da fratura.
Aumentar a amplitude de movimento no segmento afetado. Retorno às tarefas diárias, retomada das atividades laborais, treinamento das habilidades específicas necessárias.
Protocolo de reabilitação em fraturas instáveis da segunda vértebra cervical que requerem tratamento cirúrgico.
Fase
Precauções
Protocolo
Período pós-operatório imediato (0 a 6 semanas).
Imobilização do segmento operado com o objetivo de evitar movimentos.
Exercícios respiratórios. Movimentos ativos das extremidades. Mobilização no leito. Posicionamento vertical conforme tolerado.
Mobilização precoce (6 a 12 semanas).
Descontinuação da imobilização após a confirmação radiográfica da consolidação da fratura.
Fortalecimento da musculatura paravertebral e da musculatura das extremidades. Aumento da amplitude de movimento, se o dispositivo implantado permite. Exercícios de restabelecimento do equilíbrio e da postura.
Recuperação funcional (12 ou mais semanas)
Limitação da amplitude de movimento e das cargas, dependendo do tipo de fusão.
Fortalecimento progressivo da musculatura cervical e torácica superior. Exercícios aeróbicos Retorno às atividades diárias. Retorno ao trabalho.
Dependendo do tipo de cirurgia, o implante pode limitar os movimentos no segmento operado. A fixação do processo odontoide com um parafuso permite preservar a rotação no segmento operado. A fusão posterior da C1–C2, por outro lado, resulta na perda da rotação no segmento. A fusão occipitocervical limita significativamente a mobilidade no segmento operado.
FAQ
1. O que é a fratura de Jefferson?
Trata-se de uma fratura da primeira vértebra cervical (atlas) do tipo explosão, na qual os arcos anterior e posterior estão fraturados. Ocorre devido a forte carga axial (por exemplo, uma pancada na cabeça).
2. Quão perigosas são as fraturas das vértebras cervicais e são elas fatais ou não?
Sim, as lesões na coluna cervical superior (C1–C2) são perigosas devido à proximidade do tronco encefálico e dos centros respiratórios. Lesões graves podem ser fatais. No entanto, muitas fraturas isoladas passam sem déficits neurológicos e são tratadas com sucesso.
3. O que é o dispositivo Halo?
Trata-se de uma estrutura metálica que é fixada ao crânio com parafusos e conectada a um colete no peito. Ela proporciona a imobilização cervical mais rígida, permitindo o tratamento de fraturas complexas sem cirurgia.
4. Uma fratura no pescoço pode passar despercebida?
Sim, especialmente em pacientes idosos com osteoporose. Às vezes, uma fratura (por exemplo, do processo odontoide) causa apenas dor moderada, que é confundida com uma contusão ou um agravamento da osteocondrose. Portanto, após qualquer traumatismo craniano ou cervical em idosos, é necessário fazer um exame diagnóstico (tomografia computadorizada ou raio-X).
5. Quais são as possíveis consequências da fratura da segunda vértebra cervical?
As consequências dependem do tipo de fratura. São possíveis: recuperação completa, limitação dos movimentos da cabeça (após a fusão), dor crônica ou comprometimento neurológico (paralisia).
6. A cirurgia é necessária em fratura do processo odontoide?
Normalmente, a cirurgia é necessária em fratura do tipo 2 (base do dente), pois não cicatriza bem com o tratamento conservador. Fraturas do ápice (tipo 1) e do corpo (tipo 3) na maioria dos casos são tratadas sem cirurgia.
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Disponível em: https://catalog.voka.io/
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