Semaglutida na terapia da obesidade: mecanismos de ação
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Um dos problemas persistentes e relevantes na medicina clínica é o índice de massa corporal (IMC) excessivo dos pacientes, principalmente devido ao acúmulo excessivo (aumento de tamanho e volume) de tecido adiposo, comumente conhecido como obesidade.


A obesidade é o resultado de uma cascata complexa de processos fisiopatológicos que não pode ser reduzida apenas ao excesso de acúmulo de gordura no corpo e ao aumento do consumo de alimentos calóricos e gordurosos.
O estudo e a descrição dos mecanismos exatos do desenvolvimento da obesidade permitem à ciência médica moderna não apenas entender a essência desse fenômeno, mas também desenvolver terapias médicas clinicamente eficazes para corrigir essa condição.
Semaglutida: definição e mecanismo de ação


Atualmente, um dos medicamentos mais eficazes utilizados no tratamento da obesidade em pacientes é a semaglutida (nomes de marca: Ozempic®, Wegovy®, e Rybelsus®).
A semaglutida é um análogo sintético modificado do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1). O GLP-1 é um hormônio peptídico produzido por células especializadas do intestino delgado e envolvido indiretamente na regulação de muitos processos fisiológicos no corpo humano.
A semaglutida exerce um efeito semelhante ao do GLP-1 ao se ligar aos receptores de GLP-1, que apresentam especificamente a ativação de mecanismos que levam à correção gradual e duradoura da obesidade.
Efeito da semaglutida no cérebro
Dessa forma, é sabido que os distúrbios do comportamento alimentar desempenham um papel importante no aumento do índice de massa corporal (IMC). Sob normas fisiológicas, diferentes componentes estruturais do hipotálamo produzem certas substâncias envolvidas na formação de sinais de fome e saciedade, tais como:
- Peptídeo relacionado com o gene agouti (AgRP);
- Neuropeptídeo Y (NPY);
- Proopiomelanocortina (POMC);
- Transcrito regulado por cocaína e anfetamina (CART).


Mudanças na frequência e na natureza da ingestão alimentar podem alterar o equilíbrio existente de substâncias que regulam o apetite, causando tanto um desejo excessivo por comida quanto uma resistência persistente em comê-la.


A administração de semaglutida leva à formação de uma ligação molecular entre essa substância e os receptores de GLP-1 localizados nas membranas dos neurônios do hipotálamo.
O conjunto de reações intracelulares desencadeadas como resultado leva a uma diminuição na produção de neuropeptídeos que estimulam a fome (especificamente, o neuropeptídeo Y) e, como resultado, a um nível relativamente mais alto de neuropeptídeos que estimulam a saciedade.
Em outras palavras, a semaglutida suprime a fome nos pacientes e, ao mesmo tempo, estimula e prolonga a saciedade.
Outro efeito da semaglutida, percebido ao nível do sistema nervoso, é seu impacto no nervo vago. A modulação de sua atividade desacelera a motilidade gástrica, levando a um trânsito alimentar prolongado e à redução da fome.


Impacto da semaglutida no pâncreas
No contexto da terapia farmacológica da obesidade, o impacto da semaglutida no pâncreas desempenha um papel importante.
Sabe-se que um dos principais (mas não único) mecanismos de desenvolvimento da obesidade é a hiperglicemia persistente, levando não apenas à obesidade propriamente dita, mas também ao diabetes mellitus e a outras doenças sistêmicas.


A ligação da semaglutida aos receptores de GLP-1 das células das ilhotas de Langerhans no pâncreas leva, de forma análoga à regulação do comportamento alimentar pelo hipotálamo, a uma redução na produção de glucagon e a um efeito mais significativo da insulina no corpo.


Efeito da semaglutida no tecido adiposo
Além desses mecanismos evidentes, a semaglutida possui maneiras adicionais de reduzir o volume de tecido adiposo.
A modulação do comportamento alimentar e a ação mais duradoura da insulina, combinadas com a redução da secreção de glucagon, levam a níveis mais baixos de glicose no sangue e à criação de um déficit energético, forçando as células a buscar rotas alternativas para a produção de energia.


Neste caso, a principal fonte de energia torna-se o tecido adiposo.


Os triglicerídeos, que representam a maior parte dos lipídios contidos nos vacúolos das células do tecido adiposo, são quebrados em seus componentes: álcool glicerol e ácidos graxos. Subsequentemente, ambos os produtos da reação de degradação participam de seus próprios cascatas únicas de transformações químicas, culminando na produção de acetil-CoA, uma molécula intermediária a todas as vias metabólicas humanas e participante direto de uma das etapas mais cruciais da produção de energia, o ciclo do ácido cítrico.




Assim, a semaglutida exerce um efeito combinado no corpo humano no que se refere ao seu papel no tratamento da obesidade. Ao atuar nos receptores de GLP-1 no cérebro e pâncreas, contribui para a redução da fome e manutenção de um nível normal de glicose no sangue.
Através desses efeitos, a semaglutida também auxilia na redução do tecido adiposo devido à mobilização forçada dos triglicerídeos armazenados para a produção de energia.
FAQ
1. A semaglutida é um hormônio ou não?
2. Como a semaglutida ajuda na redução de peso?
3. Qual é a instrução de uso da semaglutida?
4. Existem efeitos colaterais ao tomar a medicação?
5. Quando a medicação começa a agir?
6. Quais produtos farmacêuticos contêm Semaglutida? Existem alternativas?
7. Quais são as contraindicações para o uso de Semaglutida?
Referências
1.
VOKA 3D Anatomy & Pathology – Complete Anatomy and Pathology 3D Atlas (VOKA 3D Anatomia e Patologia – Atlas 3D completo de anatomia e patologia) [Internet]. VOKA 3D Anatomy & Pathology [VOKA 3D Anatomia & Patologia].
Disponível em: https://catalog.voka.io/
2.
Chao, Ariana M., et al. “Semaglutide for the Treatment of Obesity” [“Semaglutida para o tratamento da obesidade”]. Trends in cardiovascular medicine, vol. 33,3 (2023): 159-166. DOI: 10.1016/j.tcm.2021.12.008
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Gabery, Sanaz, et al. “Semaglutide Lowers Body Weight in Rodents via Distributed Neural Pathways” [“Semaglutida reduz o peso corporal em roedores via vias neurais distribuídas”]. JCI insight vol. 5,6 e133429. 26 mar. 2020, DOI: 10.1172/jci.insight.133429
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